BRASIL
O Brasil nas eliminatórias
O Brasil foi beneficiado pela desistência da Bolívia. Assim,
a seleção não precisou disputar as Eliminatórias para garantir
a vaga no Mundial. Cuba, Romênia e Índias Holandesas também
se classificaram pela desistência de seus adversários. Pela
primeira vez, o campeão do ano anterior e os donos da casa
não precisaram disputar as Eliminatórias.
Nasce uma potência
| Acervo/Gazeta Press |
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| Delegação brasileira chega
em Toulouse: os melhores, pela primeira vez. |
Pela primeira vez, o Brasil foi disputar uma Copa do Mundo
com seus melhores craques. A equipe contava com grandes
jogadores e, pelo menos, dois gênios: Domingos da Guia e
Leônidas da Silva. Assim, a seleção brasileira desembarcou
na França como uma das favoritas à conquista do título.
Mas a CBD continuava a fazer trapalhadas fora do campo.
A maior delas foi a convocação do atacante Nigrinho, que
jogava na Lazio, da Itália. Os dirigentes da CBD só descobriram
que não poderiam utilizar o jogador dias antes do início
do Mundial, quando a seleção já estava na França. Nigrinho
não pôde ser utilizado pois já possuía uma inscrição pela
Itália.
Outro problema enfrentado pelo Brasil foi a falta de experiência
em competições internacionais. A seleção participou apenas
da Copa América de 1937, quando perdeu a final para a Argentina.
| Acervo/Gazeta Press |
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Domingos e o lance do pênalti: uma das poucas
falhas do "Divino Mestre"
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O Brasil estreou no Mundial contra a Polônia, numa partida
histórica. O atacante Leônidas da Silva marcou quatro gols
e foi o destaque do jogo. Nas quartas-de-final, outra batalha.
A vitória contra a Tchecoslováquia só aconteceu depois de
dois jogos dramáticos. Um empate em 1 a 1 na primeira partida
e uma vitória por 2 a 1 no segundo jogo, realizado menos
de 48 horas depois do primeiro. Cansado, o Brasil foi enfrentar
a Itália, pela semifinal. O técnico Ademar Pimenta resolveu
poupar Leônidas da Silva para a grande decisão. Sem o melhor
jogador, o Brasil não encontrou o seu jogo. Mesmo assim,
a seleção brasileira segurou o empate até os 10 minutos
do segundo tempo, quando Colaussi abriu o placar. Cinco
minutos depois, o golpe de misericórdia: Domingos da Guia
chuta um italiano sem bola e o juiz marca pênalti. Meazza
converte e enterra o sonho brasileiro de levar a taça. Nem
mesmo o gol de Romeu no finalzinho evita a derrota.
Resta ao Brasil lutar pelo terceiro lugar, contra a Suécia.
A vitória vira uma questão de honra e o escrete brasileiro
não deixa por menos, marcando 4 a 2. Leônidas balança as
redes por duas vezes e termina a Copa como artilheiro. O
Brasil deixa a França com a cabeça erguida, mesmo sabendo
que poderia ter tido um resultado melhor.
O destaque brasileiro: Domingos
da Guia
| Acervo/Gazeta Press |
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Em 1938, Domingos da Guia tinha a fama de ser um dos maiores
zagueiros do mundo. Entretanto, na semifinal contra a Itália,
o "Divino Mestre" cometeu uma falha infantil, que acabou
eliminando o Brasil do Mundial. Num lance sem bola, Domingos
da Guia revidou uma agressão recebida do atacante Piola.
Para azar do Brasil, o juiz viu e marcou pênalti. Meazza
converteu a cobrança a sepultou as esperanças brasileiras
de chegar à final.
Mesmo assim, Domingos Antônio da Guia é considerado o melhor
zagueiro brasileiro de todos os tempos. Nascido na cidade
do Rio de Janeiro a 24 de julho de 1917, Domingos da Guia
começou a sua carreira no Bangu. Desde o ínicio, o jogador
encantou por sua extrema habilidade, levando a torcida ao
delírio quando driblava os atacantes dentro da área.
No começo da década de 30, Domingos da Guia atuou no Peñarol,
do Uruguai, onde é aclamado "El Divino Mestre", aos 20 anos
de idade. Jogou ainda no Vasco da Gama, Boca Juniors, Flamengo,
Corinthians e, novamente, Bangu, onde encerrou a carreira,
em 1948.
Jogos do Brasil
Oitavas-de-final
Brasil 4 x 4 Polônia (Prorrogação:
Brasil 2 x 1 Polônia)
Data: 05 de junho de 1938
Local: Estádio do Racing Strasbourg (Estrasburgo)
Árbitro: Ivan Eklind (Suécia)
Público: 13.882
Gols: Leônidas, aos 18', Willimowski, aos 22', Romeu,
aos 25' e Perácio, aos 44' do 1º tempo; Piontek, aos 5',
Leônidas 27' e Willimowski, aos 14' e 43' do 2º tempo; Leônidas,
aos 3' e Willimowski, aos 12'do 1º tempo da prorrogação;
Leônidas, aos 2' do 2º tempo da prorrogação.
Brasil: Batatais; Domingos da Guia e Machado; Zezé
Procópio, Martim e Afonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio
e Hércules.
Polônia: Madejski; Szeepaniak e Galecki, Gora, Nyc
e Dytko; Piec, Piontek, Sherfke, Willimowski e Wodarz.
Quartas-de-final
Brasil 1 x 1 Tchecoslováquia (Prorrogação:
Brasil 0 x 0 Polônia)
Data: 12 de junho de 1938
Local: Estádio Municipal (Bordeaux)
Árbitro: Paul VonHertzka (Hungria)
Público: 14.000
Gols: Leônidas, aos 30' do 1º tempo e Nejedly,
aos 19' do 2º tempo.
Brasil: Wálter; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio,
Martim e Afonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio e Hércules.
Tchecoslováquia: Planicka; Burger e Daucik, Kostalek,
Boucek e Kopecky; Riha, Simunek, Luedl, Nejedly e Puc.
Quartas-de-final (jogo desempate)
Brasil 2 x 1 Tchecoslováquia
Data: 14 de junho de 1938
Local: Estádio Municipal (Bordeaux)
Árbitro: Georges Capdeville (França)
Público: 15 mil
Gols: Kopecky, aos 30' do 1º tempo; Leônidas,
aos 11' e Roberto, aos 18' do 2º tempo.
Brasil: Wálter; Jaú e Nariz; Brito, Brandão e Argemiro;
Roberto, Luizinho, Leônidas, Tim e Patesko.
Tchecoslováquia: Burkert; Burger e Daucik, Kostalek,
Boucek e Luedl; Horak, Kopecky, Kreuz, Senecky e Rulc.
Semifinais
| Acero/Gazeta Press |
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Brasil 1 x 2 Itália
Data: 16 de junho 1938
Local: Estádio Jean Boin (Marselha)
Árbitro: Hans Wuthrich (Suíça)
Público: 35 mil
Gols: Colaussi, aos 10'; Meazza, aos 15' e Romeu,
aos 42' do 2º tempo.
Itália: Olivieri; Foni e Rava; Serantoni, Andreolo e Locatelli;
Biavati, Meazza, Piola, Ferrari e Colaussi.
Brasil: Wálter; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio,
Martim e Afonsinho; Lopes, Luizinho, Romeu, Perácio e Patesko.
Disputa do 3° lugar
Brasil 4 x 2 Suécia
Data: 19/06/1938
Local: Estádio Municipal (Bordeaux)
Árbitro: John Langenus (Bélgica)
Público: 15 mil
Gols: Johasson, aos 18'; Nyberg, aos 38' e Romeu,
aos 43' do 1º tempo; Leônidas, aos 18' e aos 28' e Perácio,
aos 35' do 2º tempo.
Brasil: Batatais; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio,
Brandão e Afonsinho; Roberto, Romeu, Leônidas, Perácio e Patesko.
Suécia: Abrahamsson; Eriksson e Nilsson; Almgren, Linderholm
e Svanstroem; Nyberg, Johasson, Harry Andersson, Ake Andersson
e Persson.
Jogadores do Brasil
Goleiros: Batatais (Fluminense) e Walter (Flamengo).
Zagueiros: Domingos da Guia (Flamengo), Machado (Fluminense),
Jaú (Vasco da Gama) e Nariz (Botafogo).
Meio-de-campo: Zezé Procópio (Botafogo), Brito (América/RJ),
Afonsinho (São Cristóvão) e Argemiro (Portuguesa Santista).
Atacantes: Lopes (Corinthians), Romeu (Fluminese),
Leônidas da Silva (Flamengo), Perácio (Botafogo), Hércules
(Fluminense), Roberto (São Cristóvão), Luizinho (Palestra
Itália), Tim (Fluminense), Niginho (Lazio/Ita) e Patesko (Botafogo).